Acesse: Previsões a partir do Modelo Epidemiológico SIR para os casos de Infecção pelo COVID-19: uma aplicação para os estados brasileiros

Os professores e professoras do Departamento de Ciências Econômicas da FACE divulgaram, no dia 27/03/2020, manifesto sobre a crise causada pela pandemia do COVOID-19. O texto se opõe veemente à falsa dicotomia entre ações urgentes para conter o avanço da pandemia e o combate de seus efeitos sobre a atividade econômica:

"Há quem queira que estejamos diante de escolha incontornável, qual seja, ou salvar vidas humanas, ou salvar a economia. É preciso denunciar essa colocação como uma aberração ética e como uma impostura científica".

O documento, que foi assinado por todos(as) os professores e professoras da ativa do departamento, além de uma lista importante de professores eméritos e aposentados. apresenta ainda um conjunto de 10 políticas que devem ser adotadas com urgência.

[Link para a entrega do manifesto]

 

Análise de demanda e oferta de leitos hospitalares gerais, UTI e equipamentos de ventilação assistida no Brasil em função da pandemia do COVID-19: impactos microrregionais ponderados pelos diferenciais de estrutura etária, perfil etário de infecção e risco etário de internação

Kenya Noronha1 , Gilvan Guedes1 , Cássio M. Turra1 , Mônica Viegas Andrade1 , Laura Botega1 , Daniel Nogueira1 , Julia Calazans1 , Lucas Carvalho1 , Luciana Servo2, Pedro Amaral1

1 Cedepar-Face-UFMG
2 Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA)

[Download do documento completo]

Sumário Executivo

• Esse documento apresenta simulação da oferta e demanda por leitos e respiradores por microrregiões de saúde;
• As estimativas levam em consideração as diferenças na estrutura etária observadas entre as microrregiões de saúde;
• Foram consideradas também as diferenças no perfil etário de infecção e no risco etário de internação hospitalar (geral e UTI);
• A maioria dos casos de internações podem exigir apenas leitos gerais de menor complexidade com ventilação não invasiva;
• Outros, mais complexos, exigiriam uma escala maior e maior qualificação profissional para operação de leitos de UTI.

(1) Objetivo

• Apresentar exercícios preliminares com simulações da oferta de leitos (gerais e UTI) e de equipamentos de ventilação mecânica, considerando a pressão potencial exercida pela demanda em função da pandemia de COVID-19 no Brasil;
• Após debates com outros pesquisadores, profissionais e gestores, o estudo poderá apoiar os processos de tomada de decisão relacionados ao atendimento de pacientes acometidos com COVID-19.

(2) Metodologia

• São considerados cenários definidos com base em diferentes taxas de infecção de 0,01%, 0.1%, 1%, 10%, 20% e 40% (casos confirmados) e horizontes de propagação do COVID-19: curto prazo (1, 3, 6 meses) e médio prazo (6 e 12 meses);
• A escolha de diferentes taxas e horizontes temporais decorre da incerteza com relação à propagação do COVID-19 entre as regiões, permitindo contemplar momentos distintos da taxa de infecção em cada região;
• As simulações consideram a estrutura etária de cada microrregião de saúde, a distribuição proporcional de casos confirmados por idade e as taxas de internação geral e UTI por idade, calculadas segundo dados observados e publicados nos EUA;
• As simulações são realizadas para o número de internações hospitalares em geral, internações em leito UTI e aparelhos de ventilação mecânica em cada microrregião, em decorrência do COVID-19.

(3) Principais Resultados das simulações

Leitos gerais:
• Os principais problemas começariam a surgir quando a taxa de infecção por SARS- Cov-2 alcançasse 1% da população;
• Para taxas menores de infecção por SARS-Cov-2, 0,01% e 0,1%, independentemente do horizonte temporal, todas as microrregiões estariam operando com níveis inferiores à sua plena capacidade;
• No caso de a taxa de infecção atingir 1%, o impacto sobre a capacidade de atendimento de cada microrregião de saúde dependerá do horizonte temporal em que essa parcela da população estaria infectada;
• Em um cenário mais otimista, se essa taxa de 1% fosse alcançada em um período de 6 meses, nenhuma microrregião estaria operando além de sua capacidade;
• Se a taxa de 1% fosse observada em apenas 1 mês, 48 das microrregiões de saúde (11%) estariam operando além de sua capacidade, ou seja, superariam 100% dos leitos disponíveis. Dentre essas 48 microrregiões, 12 estariam localizadas no Norte do Brasil, 32 no Nordeste, 2 no Sudeste e 2 no Centro Oeste.

Leito UTI

• Mesmo em um cenário mais otimista, seria observada uma sobrecarga em várias microrregiões de saúde;
• Considerando que uma taxa de infecção igual a 0,1% fosse alcançada em 1 mês, o número de microrregiões com oferta comprometida para o tratamento de casos mais graves seria igual a 192 (44%);
• Em torno de 47% dessas 192 microrregiões não possuem oferta de leitos UTI, nem público, nem privado. Por ser de maior complexidade, a oferta de leitos UTI é organizada em nível macrorregional, não sendo prevista em todas as microrregiões de saúde;
• No entanto, a presença de microrregiões contíguas com déficit de leitos para atender a demanda esperada de sua população coloca em xeque a capacidade do município polo da macrorregião de suprir toda a demanda de sua população de referência;
• O cenário mais dramático é observado quando a taxa de infecção de 1% é alcançada em apenas 1 mês. Nesse caso, o sistema praticamente entraria em colapso na medida em que 53% das microrregiões estariam operando além de sua capacidade (demanda estimada maior do que a quantidade disponível de leitos UTI);
• Esses resultados são especialmente graves, uma vez que a oferta de leitos UTI é fundamental para a recuperação dos casos mais vulneráveis à doença;

Aparelhos de ventilação mecânica

• Apesar de menos severa do que o estimado para leitos UTI, a situação da oferta de aparelhos de ventilação mecânica para atender a pacientes mais graves por COVID- 19 também é preocupante;
• Independentemente do cenário, as microrregiões com déficit de oferta estariam concentradas no Norte e Nordeste do país;
• Considerando o cenário em que a taxa de infecção de 1% fosse alcançada em 6 meses, 26% das microrregiões estariam operando a uma taxa superior à sua capacidade, comprometendo com isso o atendimento dos pacientes mais graves;
• Se a taxa de infecção alcançar 1% em apenas 1 mês, o percentual de microrregiões de saúde com capacidade comprometida de atendimento aumentaria para 38%.

(4) Principais Limitações


• Há incertezas com relação à propagação e duração da pandemia no Brasil e em cada uma de suas microrregiões;
• A estimação da demanda por internações gerais, internações em leitos UTI e aparelhos de respiração mecânica por grupos etários foi baseada em parâmetros norte- americanos;
• As estimativas não levam em consideração diferenças na propagação do SARS-Cov- 2 segundo presença de aglomerados subnormais, composição e tamanho dos domicílios no Brasil. A co-residência de grupos de risco (idosos e indivíduos com outras morbidades) com grupos de idade que têm maior probabilidade de desenvolverem a forma assintomática da doença (crianças, jovens e adultos jovens) pode afetar as taxas de infecção e sua distribuição regional e temporal. O efeito dependerá das políticas de controle adotadas pelas autoridades públicas, em especial o distanciamento social;
• Estimativas de leitos hospitalares (geral e UTI) e aparelhos de ventilação mecânica disponíveis para o atendimento dos pacientes com COVID-19 foram realizadas utilizando-se a taxa de ocupação média no SUS observada em 2019 para dos leitos gerais e UTI da microrregião de saúde. Essa taxa foi aplicada também para os leitos privados, uma vez que não dispomos de informações de internações hospitalares para esse setor;
• Oferta de leitos hospitalares e aparelhos de ventilação mecânica neste trabalho é mantida constante, independentemente do choque de demanda gerado em função da pandemia. A análise não contempla possível realocação de internações eletivas nem a criação de novos leitos ou disponibilização de aparelhos;
• A base de dados utilizada para estimar os leitos hospitalares e aparelhos de ventilação mecânica apresenta potencial de subestimação, principalmente em relação a leitos hospitalares. Nossas estimativas, portanto, refletem um cenário mais pessimista;
• As estimativas não consideram a capacidade de oferta por porte dos hospitais e questões de escala;
• Não foi considerada a pressão de demanda pelo COVID-19 sobre a oferta de profissionais envolvidos na assistência, suporte, higienização e outros insumos essenciais para o funcionamento adequado dos hospitais na resposta à pandemia.

Forma de Citação:
Noronha, K.; Guedes, G.R.; Turra, C.M.; Andrade, M.V.; Botega, L.; Nogueira, D.; Calazans, J.; Carvalho, L.; Servo, L.; Amaral, P. Análise de demanda e oferta de leitos hospitalares gerais, UTI e equipamentos de ventilação assistida no Brasil em função da pandemia do COVID-19: impactos microrregionais ponderados pelos diferenciais de estrutura etária, perfil etário de infecção e risco etário de internação. Nota Técnica n.1. CEDEPLAR/UFMG: Belo Horizonte, 2020.

 

 

Nota Técnica: Efeitos econômicos negativos da crise do Corona Vírus tendem a afetar mais a renda dos mais pobres

Edson Paulo Domingues, Débora Freire, Aline Souza Magalhães

Elaborada pelo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (NEMEA) do Cedeplar-UFMG.

[Download do Documento Completo]

Nota Técnica: A pandemia do Corona vírus no Brasil: demanda emergencial de setores relacionados a saúde e impactos econômicos

Edson Paulo Domingues, Débora Freire Cardoso, Aline Souza Magalhães

Elaborada pelo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (NEMEA) do Cedeplar-UFMG.

[Download do Documento Completo]