Programa de Pós-Graduação em Economia:

Estão disponíveis os editais do PROCESSO DE SELEÇÃO 2021_MESTRADO E DOUTORADO.

https://www.cedeplar.ufmg.br/economia/processo-seletivo

O Programa de Demografia do CEDEPLAR da UFMG manifesta sua enorme tristeza diante da decisão da Câmara de Administração (CAD) da UNICAMP que, seguindo a normatização vigente, extinguiu o Departamento de Demografia, afetando assim os membros do Programa de Pós-Graduação em Demografia, já consolidado e reconhecido pela sua excelência.

Como Programas irmãos que somos, manifestamos total solidariedade aos nossos colegas atingidos. Sabemos do papel inquestionável que seus membros tiveram no nascimento da demografia brasileira. Temos compartilhado as vicissitudes e vitórias que levaram ao crescimento e amadurecimento da nossa disciplina. Juntos conseguimos elevá-la a níveis de sabido reconhecimento nacional e internacional. Por todas essas razões, reafirmamos aos amigos e colegas do NEPO, pesquisadores, docente e discentes, nosso apoio fraterno, neste momento de crises que assola a universidade. Seguiremos juntos mantendo a excelência do saber em Demografia.

 
 

Nota Técnica: Renda Básica Emergencial: uma resposta suficiente para os impactos econômicos da pandemia da COVID-19 no Brasil?

Débora Freire1, Edson Domingues1, Aline Magalhães1, Thiago Simonato2, Diego Miyajima2

1 Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica, Cedeplar-Face-UFMG
2 Doutorando, Cedeplar-UFMG

 

Nota Técnica: Atualização da Estimativa de Subnotificação em Casos de Hospitalização por Síndrome Respiratória Aguda e Confirmados por Infecção por Covid-19 no Brasil e Estimativa para Minas Gerais

Leonardo Costa Ribeiro1 e Américo Tristão Bernardes2

1Cedeplar-Face-UFMG
2Departamento de Física, UFOP
 
 

Nota Técnica: Cenários de isolamento social da COVID19 e impactos econômicos em Minas Gerais

Edson Domingues1, Gilvan Guedes1, Rafael Ribeiro1, Aline Magalhães1, Débora Freire1, Reinaldo Santos2, Monique Felix3, Jeferson Andrade3, Thiago Simonato4, Diego Miyajima4

1Cedeplar-Face-UFMG
2Assessor na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e Doutor em Demografia pelo Cedeplar-UFMG
3Departamento de Estatística & EPOPEA | UFMG
4Doutorando, Cedeplar-UFMG


Sumário Executivo:

  • A flexibilização prematura do distanciamento social em Minas Gerais, em relação ao padrão que estava sendo adotado no estado, não é recomendada do ponto de vista econômico e social, tendo em vista os maiores custos à atividade econômica e a ausência de efeitos positivos relevantes que superem os impactos da crise.
  • Aplicamos neste trabalho uma metodologia que articula um modelo epidemiológico a um modelo econômico de dinâmica recursiva com temporalidade trimestral, específicos para o estado de Minas Gerais. Assim, os detalhes de cenários epidemiológicos podem ser utilizados em um modelo econômico e os efeitos na economia estimados ao longo do tempo.
  • Neste trabalho analisamos os efeitos de três diferentes estratégias de isolamento na economia de Minas Gerais. A primeira se baseia no adotado em MG desde os primeiros casos: “Distanciamento estendido”. O segundo pressupõe um “isolamento parcial”, e o terceiro adota a abolição total do isolamento, “Sem distanciamento”.
  • Os mecanismos de ajuste do modelo econômico utilizado procuram capturar os efeitos de ajustamento dos setores aos efeitos de perda de fator trabalho e produtividade, estimada no modelo epidemiológico. Há naturalmente um efeito de substituição de trabalho por capital, em especial nos setores que apresentam maior grau de substituição entre esses fatores, uma vez que o fator trabalho torna-se menos efetivo. Mas isso ocorre com a elevação de custos de produção, uma vez que a substituição imperfeita e defasada por capital implica que os setores enfrentarão elevação de custos.
  • A elevada taxa de desemprego sugere que há certa facilidade em conseguir mão de obra, mas com produtividade inferior à que estava ocupada e foi perdida com a pandemia. Assim, um efeito que não pode deixar de ser considerado nas análises é o impacto dos diferentes cenários de isolamento na produtividade da mão de obra e os custos incorridos à produção.
  • De acordo com nossos resultados, o cenário de “Distanciamento estendido” implicaria uma queda de -1% no PIB de Minas Gerais. O cenário “Sem distanciamento” resultaria em uma queda total no PIB do estado da ordem de -4,0% em relação ao cenário de referência.
  • Acabar com o isolamento eleva a perda na economia de Minas Gerais em cerca de R$ 50 bilhões de reais. O cenário de “Distanciamento estendido” equivaleria a uma perda de R$ 19 bilhões no PIB de Minas Gerais, enquanto que para o cenário “Sem distanciamento” essa perda seria de R$69 bilhões.
  • Os setores com maior impacto negativo seriam Serviços e Indústria, sendo que o cenário sem isolamento apresentaria a maior queda, seguida do isolamento parcial, por fim, do isolamento estendido. Em média, o impacto negativo no cenário de distanciamento social parcial seria 1,1 vezes o do cenário de “Distanciamento Estendido”. Quando essa relação é analisada entre os cenários “sem distanciamento” e “distanciamento estendido”, essa relação é de 1,8.
  • Cabe aos diferentes entes federativos (federal, estadual e municipal) a articulação de políticas governamentais para a manutenção e recuperação da renda e do emprego, de forma a amenizar os impactos na vida das pessoas, na economia e na saúde.
  • Estudos com diversos tipos de modelos, bem como a análise de dados da epidemia, tonam claro que os problemas econômicos (perda de renda, emprego, arrecadação de impostos) derivam preponderantemente da pandemia global da COVID-19, e não das medidas de isolamento. Em nenhuma situação real da pandemia no mundo se verificou menor impacto da crise com o relaxamento de medidas de isolamento.
  • Em artigo, seis pesquisadores da faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (Alves, et al., 2020), listam nove argumentos com a defesa de que ainda não é o momento de flexibilizar o isolamento social em Minas Gerais, pelas razões sanitárias. Reforçamos os argumentos dos pesquisadores, incluindo os impactos na economia.
  • O isolamento traz custos econômicos, mas abrir mão da única estratégia factível para as diversas regiões do país – o isolamento social - traz custos ainda maiores e mais deletérios tanto para a saúde como para o país. Não existe dilema entre saúde e economia: podemos recuperar a economia, mas não as vidas perdidas.